Venezuela: eleições presidenciais de 2012 na mira

• Por Waldo Mendiluza em 01 de abril de 2011

VenezuelaCaracas, 1 abr. (PL) – Ainda que faltem mais de 20 meses para as eleições presidenciais na Venezuela, os atores políticos do país perfilam desde já estratégias, candidatos e alianças de cara para o encontro nas urnas.

As eleições previstas para 2 de dezembro de 2012 definirão com um padrão em torno de 18 milhões de votantes a cabeça do Poder Executivo, que tem sua sede no Palácio de Miraflores, nesta capital.

A luta pela cadeira presidencial para o periodo 2013-2019 gera aquí expectativas, sobretudo pela polaridade política existente e a confrontação de dois modelos de país bem distanciados entre sí.

De um lado, o projeto socialista liderado pelo chefe de Estado e aspirante à reeleição Hugo Chávez, e, do outro, o representado por várias organizações opositoras, agrupadas na Mesa da Unidade.

Chávez propõe manter o rumo pela senda da inclusão, da prioridade social, da diversificação econômica e do multilateralismo nas relações internacionais, com a integração regional como bandeira.

Seus rivais não dizem de maneira aberta o modelo defendido, centrando sua postura em críticas ao Executivo e promessas muitas vezes mal vistas por setores populares, que denunciam a dívida social deixada por partidos como a Ação Democrática e o Copei durante mais de 40 anos de governo.

Eles representam o capitalismo, o regresso à subordinação aos Estados Unidos e a seus mecanismos econômicos de dominação, sem lhes importar em nada o povo; ao passo que a Revolução Bolivariana busca construir a pátria nova, adverte Chávez ao abordar a batalha em curso e sua expressão eleitoral de 2012.

“Os que queiram pátria, venham comigo”, resume, consigna frequente nas multitudinárias manifestações protagonizadas nas últimas semanas por mulheres, jóvens e trabalhadores.

De acordo com o estadista, a vitória nas presidenciais passa pela materialização do Polo Patriótico, mecanismo aglutinador de partidos, movimentos sociais e ciudadãos comprometidos com o processo de mudanças iniciado em 1999.

Ainda que seu propósito trascenda o eleitoral, é muito importante para as eleições, explicou a Prensa Latina o presidente da Assembleia Nacional, Fernando Soto, encarregado por Chávez da organização do Polo.

Para o deputado e dirigente socialista, na iniciativa cujo nascimento está previsto em julho, todos contam.

Operários, indígenas, estudantes, donas de casa, ninguém deve sentir-se excluído porque há muito em jogo, apontou.

Enquanto os defensores da Revolução Bolivariana já conhecem seu candidato e a estratégia a seguir, os que tratam de freá-la esperam que fruto do consenso saia um rival capaz de competir na corrida por Miraflores.

Soam como aspirantes os governadores Henrique Capriles e Pablo Pérez, o prófugo da justiça residente no Peru Manuel Rosales, a parlamentar María Corina Machado, o veterano político da Ação Democrática Henry Ramos e o prefeito metropolitano de Caracas, Antonio Ledezma.

Esses e outros nomes poderiam – segundo enquetes e opiniões de dirigentes – aparecer no padrão de umas anunciadas primárias, geradoras de polêmica nas fileiras opositoras por sua data de realização.

Alguns pedem as internas o quanto antes para iniciar a campanha, mas não poucos optam por postergá-las.

Em meio a esse cenário, sondagens e estudos de opinão outorgam a Chávez vantagem, apontado por um respaldo majoritário a sua gestão.

Mais da metade dos eleitores entrevistados por GIS XXI e Datanálisis apoiam o trabalho do mandatário, que pôs em marcha programas de segurança cidadã, moradia e alimentação, que parecem encaminhados a aumentar sua popularidade.

As iniciativas buscam solucionar problemas estruturais, identificados por GIS XXI como as principais preocupações dos venezuelanos.

Numa entrevista concedida a Prensa Latina, o diretor desse instituto de pesquisa, Jesse Chacón, explicou que na enquente mais recente do grupo, Chávez ficou com quase 20 puntos de vantagem sobre o candidato opositor ainda por definir.

Os resultados obtidos sobre uma mostra nacional de duas mil 500 perssoas, entre 11 e 17 de março, mantêm a tendência de pesquisas anteriores, embora ainda falta muito tempo para se tirar conclusões de cara para as presidenciais, comentou.



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